por Rodrigo Aguiar

Foto: Tiago Melo / Bahia Notícias
Enquanto
os professores estaduais grevistas permaneciam concentrados na
Assembleia Legislativa após assembleia que definiu a continuidade do
movimento, o deputado estadual Roberto Carlos (PDT) chegava ao local
para cumprir um compromisso em um prédio próximo, na Secretaria de
Administração Penitenciária e Ressocialização. O pedetista contou ao
Bahia Notícias que tinha um encontro agendado com o titular da pasta,
Nestor Duarte, para discutir a superlotação do presídio de Juazeiro.
Indagado sobre a paralisação dos docentes, Roberto Carlos disse que o
governo também tinha sua parcela de culpa por assinar um acordo que não
foi posteriormente cumprido, mas em seguida pontuou que não havia
dinheiro suficiente para arcar com o reajuste de 22%, inicialmente
pretendido pelos professores. Depois, pontificou: “Tudo tem limite. E [a
greve de] 90 dias já passou do limite”. A greve dos professores
completou 100 dias. Foi decretada no dia 11 de abril. Um pouco antes, no
dia 3 de abril, a Polícia Federal deflagrou na Assembleia Legislativa a
Operação Detalhes,
que teve como alvo o gabinete de Roberto Carlos. De acordo com as
investigações, o deputado empregava funcionários fantasmas e desviava o
dinheiro que deveria pagar o salário dos trabalhadores. Na época, o
superintendente regional da PF em exercício, Daniel Veras, disse que o
parlamentar e mais oito envolvidos no suposto esquema deveriam ser
indiciados por formação de quadrilha, peculato, sonegação fiscal e
lavagem de dinheiro. Mais de 100 dias depois da ação da polícia, Roberto
Carlos disse que ainda não prestou depoimento e que sequer foi
convocado. O delegado da Polícia Federal em Juazeiro, Enzo Rebelo,
explicou que, pelo fato de possuir domicílio civil em Salvador, o
deputado tem o direito de ser ouvido na capital baiana. “Foi enviada uma
carta precatória para ele ser ouvido aí”, disse Rebelo ao BN. De acordo
com ele, após o depoimento de Roberto Carlos, o delegado responsável
pelo caso, Márcio Alberto, elaborará um relatório final e encaminhará ao
Ministério Público Federal. “Se o MPF achar que procede, elabora uma
denúncia ao Tribunal Regional Federal da Primeira Região [TRF-1], em
Brasília”, completou.