terça-feira, 27 de setembro de 2011

Desinformado, mal informado ou mal intencionado?


Existem pessoas, profissionais ou não, que são levadas ou se deixam levar a enganos dos mais variados. Algumas, por inocência, ingenuidade ou ainda por excesso de boa fé. A estas, temos o dever de compreender e, nessa compreensão, perdoar os desvarios. Outras, no entanto, por carregar nos genes, nas veias, o vírus da maldade, ou até mesmo em busca de destaque e autopromoção, se deixam levar, se deixam manipular para, assim, fazendo de conta que estão sendo levadas ou manipuladas, cometerem aleivosias, desvarios, na esperança de, no caso de se darem mal, serem também perdoadas. A estas, cabe-nos direcionar nada mais nada menos do que o desprezo. Puro e simples.

É o caso de certo apresentador de uma emissora local que, no afã de se mostrar bem informado, desinforma. Na ânsia de obter reconhecimento profissional se mostra mais amador do que nunca. Este apresentador vem, há algum tempo, disparando críticas contra o trabalho desenvolvido pelo grupo capitaneado pelo prefeito Cleová Barreto. Mais diretamente contra obras de construção e reforma de quadras poliesportivas e um ginásio de esportes que contam com recursos conseguidos através de emendas parlamentares do Deputado Federal José Carlos Araújo. Para alicerçar suas críticas, o arremedo de apresentador usa como argumento, a inacabada quadra de esportes localizada na entrada da cidade. Grita, à beira de um ataque de histeria, que Morro do Chapéu teria mais proveito se aquela obra, já designada de “elefante branco” fosse concluida.

Desinformado ou absolutamente ignorante dos trâmites legais, esse arremedo de apresentador deixa de lado regras básicas que regem a destinação de recursos e disciplina sua aplicação nos âmbitos de investimentos federais e estaduais. O elefante branco cuja ressurreição é defendida aos berros pelo locutor que se autointitula comentarista político, sofre de sérios problemas legais para se reerguer dos escombros. Pois foram recursos repassados à prefeitura através de convênios para a realização das obras e cujas contas estão em poder do Tribunal de Contas para avaliação e possível liberação por tratae-se de recursos estaduais. E, enquanto isto não ocorrer, nada pode ser feito. Muito menos com recursos federais.

É compreensível a confusão do apresentador. Compreensível, mas inaceitável. Melhor faria se ocupasse o seu tempo ocioso, que deve ser bastante, estudando leis, regulamentos e processos administrativos para se fundamentar em suas críticas cujo único objetivo, como já dissemos, é se tornar visível profissionalmente. Por enquanto, está-se tornando apenas risível. Pelo menos para quem leva as coisas a sério.
Esse mesmo apresentador incorre em outro pecado. Este, mais grave por ser xenófobo, discriminatório. Ao taxar de “estrangeiros” os profissionais que militam em outros veículos, esquece-se de se lembrar que, neste país, xenofobia é crime. Esquece-se que não escolhemos a terra onde nascemos. No entanto, escolhemos, isto sim, a terra em que vamos viver, plantar nossas sementes, dar nosso suor e nosso amor. Esses “estrangeiros”, meu caro amigo, podem ter mais amor e mais respeito por Morro do Chapéu e seu povo em um simples gesto, em uma simples palavra do que o que você jamais teria em uma vida inteira. Muito embora desejemos, de todo o coração que não seja assim.
(Editorial da rádio Brilhante FM veículado nesta treça feira 27 de setembro)
Ilustração:  (RF NOTICIAS.COM)