quarta-feira, 28 de abril de 2010

Óculos piratas podem custar os olhos da cara

Eles são encontrados facilmente nas ruas do centro da cidade, supermercados, lojas de conveniências, na areia das praias e até em farmácias de bairros mais populares. Visível em todos os cantos da capital baiana, o comércio irregular de óculos de grau tem ganhado cada vez mais consumidores que teimam em não enxergar o óbvio: o uso de lente de grau e de contato sem prescrição médica e adquirida em qualquer lugar pode acarretar doenças sérias nos olhos, como glaucoma.
“Um perigo. Num caso mais extremo pode até levar o indivíduo à cegueira”, garante o oftalmologista e diretor do Hospital Santa Luzia, Alexandre Príncipe. Por isso, ele explica que não se deve comprar óculos sem antes fazer exame com um médico especializado. “É raro uma pessoa necessitar da mesma correção nos dois olhos. Os óculos vendidos em camelôs não consideram essas particularidades e corrige a visão de forma errada e pode causar fortes dores de cabeça”, esclarece Príncipe, acrescentando ainda que, sem receita, as pessoas costumam comprar os óculos com grau acima do necessário, sem respeitar a distância entre um olho e outro, prejudicando a visão.
Na Avenida Sete de Setembro, no Centro de Salvador, os soteropolitanos encontram uma variedade enorme de óculos em vários graus distintos, a preços que podem variar de R$ 5 até R$ 25. Na Rua do Rosário, um vendedor ambulante que preferiu o anonimato dispõe estrategicamente de um livro com letras miúdas– o Novo Testamento – para que as pessoas possam experimentar os óculos e testar a acuidade visual. Num intervalo de 15 minutos, ontem pela manhã, três pessoas adquiriram os produtos.
“Eu perdi o meu e agora preciso ler uns documentos no meu trabalho. Até que eu tenha tempo para ir a um oftalmologista vou usar é esse mesmo”, afirmou a auxiliar de escritório, Rosana Gonçalves, 42, sem evidenciar nenhum tipo de preocupação com os malefícios dos óculos piratas. Falta informação.
Com dificuldades para enxergar de perto (presbiopia), o aposentado Otacíliano Silva, 49, também adquiriu um óculos na Rua do Rosário. Ele disse ter sido atraído pelo baixo preço do produto. “Na ótica é bem mais caro e também dependo do SUS para realizar uma consulta. Aqui resolvo o problema e consigo ler meu jornal pela manhã. Ruim com eles, pior ainda sem”, riu, sem se preocupar que isso venha a prejudicar ainda mais a visão. Rosana e Otacíliano parecem acreditar que o problema de não enxergar de perto é um mal menor, que pode ser resolvido com  óculos sem avaliação.
Na opinião do médico Alexandre Príncipe, a população deveria se preocupar mais com a visão do que com o preço dos produtos, pois neste caso a qualidade está relacionada à saúde. Ele alerta também, que algumas lentes corretivas falsificadas não são de policarbonato, portanto, ineficazes na filtragem dos raios  prejudiciais do sol, por exemplo. “A retina é diretamente atingida e a visão se expõe às doenças degenerativas. A única forma segura de garantir correção visual adequada é através da prescrição médica”, pontuou.
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