Bandidos
se passam por técnicos de telefonia e internet e roubam cartões de
crédito dentro de residências em Salvador. Especialistas falam sobre
outros golpes com o cartão e dão dicas para não cair em armadilhas. Não
dar os dados é a principal delas.
Luciana Rebouças
luciana.reboucas@redebahia.com.br
luciana.reboucas@redebahia.com.br
A idosa Maria José Teixeira, 85 anos, só queria
consertar o telefone e acabou com um rombo de R$ 4.633 nos seus dois
cartões de crédito. A história começou quando uma irmã dela encontrou
uma suposta funcionária da Oi em um condomínio no Caminho de Areia. Como
se passava por funcionária da operadora, a irmã da vítima perguntou se a
golpista não poderia ir à casa de Maria José. A falsa funcionária da
Oi, então, pegou nome e endereço da vítima e chegou à casa de Maria José
às 14h de quinta-feira.
Como um dos filhos de Maria José estava em casa, a
golpista disfarçou, fez algumas anotações e foi embora. Um pouco mais
tarde, a falsa funcionária da Oi voltou e perguntou a Maria José se seu
filho estava em casa. Ele estava, mas no andar superior da casa e a
criminosa pôde ficar sozinha com a idosa.
Conclusão: a falsa funcionária da Oi conseguiu
entrar no quarto de Maria José e pegar dois cartões de crédito. “Minha
mãe ainda percebeu que a porta do guarda-roupa estava um pouco aberta,
mas ela não demorou muito e foi embora”, conta Marco Aurélio Teixeira,
técnico bancário e filho da vítima.
Rapidez
Acreditando ter algo de errado,
Maria José foi verificar seus cartões 40 minutos depois da golpista ter
deixado sua casa. Só então percebeu que tinha sido roubada. Como o
registro na polícia e os bloqueios do cartão foram feitos rapidamente, a
golpista gastou R$ 4.633, sendo R$ 2.900 na compra de uma televisão.
“O que fico impressionado é que nenhum desses lugares pediu uma
identidade, mesmo sendo a TV de um valor alto”, acrescenta.
Os cartões eram de chip e as senhas estavam ao lado
do cartão, pois Maria José tem dificuldade em memorizá-las. Porém, uma
das lojas registrou as imagens da golpista gastando R$ 33 em roupas.
O delegado Charles Leão, coordenador do Grupo
Especializado de Repressão aos Crimes pelos Meios Eletrônicos, conta que
esses golpes do cartão, com falsos funcionários se passando por
técnicos das operadoras de telefonia e internet, estão se tornando
comuns em Salvador. Mesmo assim, as pessoas ainda registram poucas
queixas, contactando apenas as empresas do cartão.
Contabilizando as queixas registradas na Delegacia
de Repressão a Estelionatos e Outras Fraudes, é aplicado, em Salvador,
um golpe de cartão por dia.
Montado há dois meses, o Grupo Especializado de
Repressão aos Crimes pelos Meios Eletrônicos não será responsável apenas
pelos crimes com cartões, mas também por investigações que envolvam
“alta tecnologia”. A pretensão de Leão é que, até o final do próximo
ano, uma delegacia esteja montada para atender essa área.
