sábado, 28 de julho de 2012

Golpistas se passam por técnicos de telefonia para aplicar golpes do cartão de crédito


(28/07/2012-Atualizado por Jackson Sousa)
Bandidos se passam por técnicos de telefonia e internet e roubam cartões de crédito dentro de residências em Salvador. Especialistas falam sobre outros golpes com o cartão e dão dicas para não cair em armadilhas. Não dar os dados é a principal delas.
A idosa Maria José Teixeira, 85 anos, só queria consertar o telefone e acabou com um rombo de R$ 4.633 nos seus dois cartões de crédito. A história começou quando uma irmã dela encontrou uma suposta funcionária da Oi em um condomínio no Caminho de Areia. Como se passava por funcionária da operadora, a irmã da vítima perguntou se a golpista não poderia ir à casa de Maria José. A falsa funcionária da Oi, então, pegou nome e endereço da vítima e chegou à casa de Maria José às 14h de quinta-feira.
Como um dos filhos de Maria José estava em casa, a golpista disfarçou, fez algumas anotações e foi embora. Um pouco mais tarde, a falsa funcionária da Oi voltou e perguntou a Maria José se seu filho estava em casa. Ele estava, mas no andar superior da casa e a criminosa pôde ficar sozinha com a idosa.
Conclusão: a falsa funcionária da Oi conseguiu entrar no quarto de Maria José e pegar dois cartões de crédito. “Minha mãe ainda percebeu que a porta do guarda-roupa estava um pouco aberta, mas ela não demorou muito e foi embora”, conta Marco Aurélio Teixeira, técnico bancário e filho da vítima.

Rapidez  
 
Acreditando ter algo de errado, Maria José foi verificar seus cartões 40 minutos depois da golpista ter deixado sua casa. Só então percebeu que tinha sido roubada. Como o registro na polícia e os bloqueios do cartão foram feitos rapidamente, a golpista gastou R$ 4.633, sendo R$ 2.900 na compra de  uma televisão. “O que fico impressionado é que nenhum desses lugares pediu uma identidade, mesmo sendo a TV de um valor alto”, acrescenta.
Os cartões eram de chip e as senhas estavam ao lado do cartão, pois Maria José tem dificuldade em memorizá-las. Porém, uma das lojas registrou as imagens da golpista gastando R$ 33 em roupas.
O delegado Charles Leão, coordenador do Grupo Especializado de Repressão aos Crimes pelos Meios Eletrônicos, conta que esses golpes do cartão, com falsos funcionários se passando por técnicos das operadoras de telefonia e internet, estão se tornando comuns em Salvador. Mesmo assim, as pessoas ainda registram poucas queixas, contactando apenas as empresas do cartão.
Contabilizando as queixas registradas na Delegacia de Repressão a Estelionatos e Outras Fraudes, é aplicado, em Salvador, um golpe de cartão por dia.
Montado há dois meses, o Grupo Especializado de Repressão aos Crimes pelos Meios Eletrônicos não será responsável apenas pelos crimes com cartões, mas também por investigações que envolvam “alta tecnologia”. A pretensão de Leão é que, até o final do próximo ano, uma delegacia esteja montada para atender essa área.