A família de uma das mulheres mortas durante um estupro coletivo em
Queimadas, na Paraíba, entrou com uma ação na terça-feira (28) pedindo o
sequestro de bens dos dois irmãos acusados de planejar os crimes. De
acordo com o advogado Francisco Pedro da Silva, que representa o pai e
mãe da recepcionista Michele Domingues da Silva, o processo pede o
leilão de carros e motocicletas importados, cavalos de raça e de imóveis
que pertenceriam a Eduardo e Luciano dos Santos Pereira.
Ainda
segundo o advogado, os valores arrecadados pela Justiça seriam
revertidos em indenização para os pais de Michele, sob o argumento de
que a vítima representava a principal fonte de renda da casa. "A Paraíba
ficou atônita com esse crime. Esperamos que a juíza defira o nosso
pedido", comentou Francisco Pedro. O processo será avaliado pela juíza
Flávia Baptista Rocha, da 1ª Vara da comarca de Queimadas.
Nesta
semana, a Justiça aceitou as denúncias e representações do Ministério
Público da Paraíba contra os sete adultos e três adolescentes apontados
como envolvidos nos crimes. Nove integrantes do grupo serão julgados
monocraticamente por estupro, cárcere privado, lesão corporal e formação
de quadrilha. Além destes quatro crimes, Eduardo dos Santos Pereira
será levado ao tribunal do júri devido à acusação por dois homicídios
qualificados.
Paralelo às investigações sobre o estupro coletivo e
os dois homicídios, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar a
origem dos bens de Eduardo e Luciano. Segundo o delegado regional de
Campina Grande, André Rabelo, um deles possuía alto padrão de vida
apesar de não trabalhar. “Possuiu carros novos, cavalo de raça e vive
sem nunca trabalhar, sem bater um prego em uma barra de sabão”, declarou
o delegado em entrevista ao Fantástico.
A principal suspeita é
sobre a existência de uma ligação deles com o traficante Nem, do Rio de
Janeiro. A família de Nem tem origens na cidade de Queimadas e um dos
irmãos já morou na Rocinha. Mesmo com as investigações ainda em
andamento, o advogado Francisco Pedro acredita que a ação pelo sequestro
dos bens independe do resultado do inquérito. "Se surgir algum bem a
mais do que já foi listado pela Polícia Civil, vamos pedir que a medida
seja extensa ao novo montante", explicou. As informações são do G1.