Se a presidente Dilma Rousseff agiu com rigor, no que pese a demora, para detonar os seus herdados ministros supostamente corruptos, o do Esporte, Orlando Silva, deve estar voltando do México onde se encontra, por ordem expressa da presidente, para se explicar com o coração na mão e a honra abalada. Denuncia-se que tanto ele quanto o PCdoB, seu partido (quem diria...) estariam envolvidos com propina. O partido é acusado de indicar pessoas envolvidas e ONGs organizadas por integrantes da legenda.
Orlando Silva surgiu no ministério de Lula (assim como os demais ministros apeados do poder) sem que fosse nome conhecido. Conseguiu permanecer no cargo, no pacote da “herança maldita,” e agora deverá encontrar dificuldades para se explicar. São pesadas as acusações, e as provas apresentadas na imprensa, inclusive denúncia de ter recebido propina em garagem e percentuais sobre recursos federais encaminhados às ONGs, que estão, aliás, a merecer uma ampla devassa. As ONGs viraram uma febre nacional. Uma corretas, outras não.
O PC do B é um partido de história, de João Amazonas e de figuras notáveis, inclusive jovens desaparecidos (mortos) durante a ditadura militar. Foram idealistas que entregaram a vida pela democracia. Quem os que nele militavam poderia imaginar (supõe-se) que a legenda pudesse ser atacada pelo vírus da corrupção? Daqui tenho insistentemente dito que os partidos no Brasil são todos farinha do mesmo saco, e de quando em vez cito o velho ditado sobre eles: “Na corrida para os cofres públicos todos os gatos são pardos.”
O ministro antecipou o seu retorno convocado pela presidente para dar explicações sobre as denúncias, se é que conseguirá fazê-lo. Silva está no Ministério desde 2006. Seu nome já freqüentava as conversas de bastidores envolvendo corrupção, mas só agora as provas emergem. E são pesadas, algumas constantes em depoimentos. A sua convocação foi definida na noite de domingo, provavelmente depois do programa da Rede Globo, “Fantástico”, que sustentou, com imagens, as denúncias da revista Veja.
Orlando Silva sustentou que "vai às últimas consequências" para provar que não compactuou com nenhuma irregularidade. Vai nada! Quem, no Brasil, foi às últimas consequências deu um tiro no peito e assim entrou na história, na carta testamento que deixou: Getúlio Vargas. Segundo a Globo, Silva é acusado de participação num esquema de desvio de recursos da ONG “Segundo Tempo”, cujo objetivo era (ou é) incentivar jovens a praticar esportes. Sua situação é grave.
Da maneira como as coisas estão a acontecer, a presidente Dilma tem que mudar significativamente o seu ministério na reforma que pretende fazer no início do ano. E o Congresso cuidar de agilizar uma reforma política para que a suspeição não se espraie sobre todos os partidos, alcançando seus integrantes, grande parte constituída de parlamentares corretos. Aliás, corrijo: não sei se é a grande parte ou a menor parte.
CORRUPÇÃO
Se a presidente Dilma Rousseff mantiver a sua forma de proceder, o ministro Orlando Silva, dos Esportes, não demorará no seu governo. Será o sexto a cair, se comprovada ficarem as denúncias de recebimento de propina envolvendo ONGs que teriam recebido dinheiro público de forma irregular. Dos cinco ministros que foram afastados, somente Nelson Jobim deixou o governo por divergências pessoais, falar muito e coisas que tais, mas sem estar incluído no pacote de corruptos, que passaria por Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais e Wagner Rossi. Agora surge em cena Orlando Silva com denúncias pesadas com ampla divulgação.
O ministro pertence ao PC do B que também estaria envolvido, indicando militantes e os que seriam beneficiados. Cobravam-se 20% de propina, que seria a cota de Silva. No primeiro momento, Rousseff apoiou o ministro, mas, a partir das fortes denúncias de domingo, ficou difícil permanecer na trincheira da sua defesa. Trata-se de mais um ministro herdado do ex-presidente Lula, o que bem demonstram o lodaçal do período que de mensaleiros a transportadores de dólares na cueca aconteceu de tudo. O governo fica muito mal na história. O fato demonstra que a corrupção é mais ampla do que se imaginava.
“QUINTO DOS INFERNOS”
De Geraldo Machado, companheiro da minha pós-adolescência e um dos mais destacados talentos baianos, recebi um e-mail que, a propósito da nota anterior, “Corrupção”, creio que está muito apropriado ao Brasil desses tempos. É o seguinte:
“Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto". Esse imposto recaía, principalmente, sobre a nossa produção de ouro.
O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam "O Quinto dos Infernos". E isso virou sinônimo de tudo o que é ruim.
A coroa portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama". Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, enforcado e esquartejado que foi.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga
tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2011 a 38% ou, praticamente, 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...Para que? Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O Senado com sua legião de "diretores", a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro
público, as comissões e jetons, a farra familiar nos três poderes (executivo/legislativo e judiciário)?
Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a corte portuguesa.
E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!”
