sábado, 18 de setembro de 2010

Papa se encontra com vítimas de abusos e expressa "pesar" por escândalos

O papa Bento 16 expressou neste sábado seu "profundo pesar" com o que classificou de "terríveis crimes" de abuso de crianças cometidos por membros da Igreja Católica e disse que "estes pecados" causaram "vergonha e humilhação".
O pedido de desculpas foi feito durante uma missa na catedral de Westminster, em Londres, como parte da visita de Estado de quatro dias do pontífice ao Reino Unido.
Pouco depois da missa foi confirmado que o papa teve um encontro privado de cerca de 30 minutos com cinco britânicos que foram vítimas de abuso por parte de membros da Igreja.
O Vaticano afirmou que o papa expressou sua "profunda tristeza e vergonha" às vítimas.
"PESAR"
Falando a centenas de fiéis e sacerdotes católicos durante a cerimônia em Westminster, o papa afirmou ter uma grande preocupação com o "imenso sofrimento" causado pelos crimes de abuso, especialmente com aqueles cometidos por membros da Igreja.
"Acima de tudo, eu expresso meu profundo pesar às vítimas inocentes destes terríveis crimes, com a esperança de que o poder da graça de Cristo, seu sacrifício de reconciliação, traga cura e paz às suas vidas", disse.
O papa ainda afirmou esperar que o "castigo" representado pelas denúncias de abuso "contribua para a cura das vítimas, a purificação da Igreja e a renovação de seu antigo comprometimento com a educação e o cuidado com os jovens".
"Eu expresso minha gratidão aos esforços que foram feitos para lidar com esse problema de maneira responsável e peço a todos vocês que mostrem suas preocupações com as vítimas e solidariedade com nosso sacerdotes", disse.
Entre as personalidades que compareceram à cerimônia estava o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que se converteu ao catolicismo em 2007, e sua mulher Cherie.
Antes, o pontífice se encontrou com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, seu vice, Nick Clegg, e com a líder do Partido Trabalhista, Harriet Harman.
PROTESTOS
A visita do papa à Grã-Bretanha também está sendo alvo de protestos por parte de associações de vítimas de abuso, organizações de defesa de direitos dos homossexuais e outras entidades.
Um deles ocorreu na região central de Londres e reuniu cerca de 11 mil pessoas, de acordo com seus organizadores. A polícia, no entanto, não confirmou a cifra.
A agenda do papa na Grã-Bretanha permanece inalterada, apesar de a polícia ter detido na última sexta-feira seis acusados de suposto envolvimento com uma possível ameaça contra a visita do pontífice.
Os suspeitos continuam detidos, mas a polícia afirmou que nada de significativo foi encontrado durante as buscas.
Os acusados foram detidos em Londres e trabalhavam em uma empresa de limpeza de ruas.