A atriz Vida Alves em dois momentos: como uma das estrelas da TV Tupi e, hoje, presidente da associação Pró-TV. (Foto: Divulgação/Acervo Pró-TV)Afinal, foi uma das felizardas que estiveram nos estúdios da TV Tupi, no dia 18 de setembro de 1950, quando o magnata Assis Chateaubriand, reza a lenda, teria quebrado uma garrafa de champanhe em um dos 20 televisores que tinha comprado para "batizar" o início da transmissão do programa "TV na taba", com Homero Silva.
"Estava grávida de oito meses e meio, então não apareci ao vivo. Mas colaborei mesmo assim, assinando a composição da roupa de alguma atriz, como um colar que possa ter emprestado", brinca Vida, em entrevista ao G1. "Nós, pioneiros, éramos jovens que faziam 'TV a lenha', artesanal, que anos depois se internacionalizou e deu lucro. Nós fomos pessoas de coragem", resume.
A atriz-mirim Sonia Maria Dorce e o câmera Walter Tasca, na TV Tupi, em 1950. É dela a primeira imagem televisionada no Brasil: vestida de índio, ela saudou a inauguração do canal. (Foto: Divulgação/Acervo Pró-TV)"Hoje falta criatividade na TV, ousadia, preocupa-se apenas com os números [da audiência]. Na época, o Chateaubriand tinha 20 televisores, fora os outros mil que grã-finos compraram, ou seja, nós éramos o nosso ibope. Sei que foi imprescindível se popularizar, mas ficamos um pouco aleijados com o tempo", acredita.
Vida hoje é presidente da associação Pró-TV, que cuida do Museu da TV brasileira. Além do cargo, a atriz tem como ocupação escrever biografias dos profissionais que contribuíram para a construção da televisão no país. Segundo suas contas, já foram 1.800 até agora. “Só quando chego à minha que me esqueço das coisas”, brinca.
O índiozinho era o símbolo da TV Tupi que, em 1951, com Lia de Aguiar e Dionisio Azevedo, colocava no ar 'Sua vida me pertence', a primeira telenovela brasileira. (Foto: Divulgação/Acervo Pró-TV)“Foi um beijo marcadinho, sem ensaio e profundamente técnico. Eu e Walter combinamos a postura, ele pediu autorização para a direção e, eu, para meu marido. Foi um verdadeiro escândalo para a época”, diz, terminando a entrevista com uma frase de efeito. “A TV é reflexo da sociedade. E vice-versa”.